O SEGUNDO FOGUISTA


"A ficção pode fazer parte da realidade?
O que é imaginação, invenção ou ficção e o que é real nesse tão vasto universo?
Existiriam criaturas de outro mundo capazes de caçar e matar seres humanos por misteriosos motivos?
Quais mistérios ainda habitam a escuridão do universo?"
Pelo mundo existem diversos relatos de pessoas atacadas misteriosamente em matas e florestas por seres de aparência aterrorizante e desconhecida, possuindo poderes e força nunca imaginaveis. De onde viriam esses seres e quais seriam seus objetivos?
Seria apenas uma demonstração de poder perante seres considerados inferiores, "nós terrestres"?


O Relato a seguir descreve uma dessas misteriosas e aterrorizantes situações!

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Esse fato aconteceu no alto rio Purús, e me foi relatado por um vizinho de longa data, sêo Mosart, que é natural de Sena Madureira no estado do Acre. Eis a história de "Segundo".

Nos barcos a vapor que circulavam nos rios do Alto Amazonas, também chamados de "Batelão", e que transportavam produtos nativos da região, existiam dois foguistas responsáveis por alimentar as caldeirs a vapor das embarcações.
Existia o foguista principal, o qual era chamado de "Primeiro Foguista", e o seu substituto que era chamado de "Segundo Foguista".
Essas embarcações com uma tripulação típica de 16 homens, nos tempos dos anos 1950, percorriam parte da Bacia Amazônica na fronteira dos estados do Amazonas e do Acre, sendo que atracavam em muitos trapiches (pequenos portos) localizados ao longo do rio Purús, tendo sua base na cidade de Boca do Acre [Coordenadas GPS: Latitude / Longitude = 8°45'10.27"S, 67°23'55.35"W].

Em uma dessas embarcações existia um homem chamado Isaac, apelidado de "Segundo", pois possuia o cargo de "segundo foguista".
Isaac era natural do estado do Ceará, tinha estatura mediana, a pele clara, cabelos de um louro pálido e os olhos esverdeados.
Veio como muitos nordestinos para a região amazônica, ser soldado da borracha e trabalhar nos seringais do rio Purús.
Era inteligente, sua experiência de seringueiro o transformara em um grande conhecedor da floresta e tinha também uma característica comum a todos os nordestinos que desbravaram a Amazônia durante o período áureo da borracha, a coragem.


Barcos a Vapor que circulavam em tempos antigos nos rios do Alto Amazonas, inclusive no Rio Purús.

Isaac tinha um costume que adquiriru ao longo do tempo em que trabalhava nas embarcações: onde a embarcação aportasse, ele pegava seu rifle de caça e saia para praticar sua paixão, caçar.
Podia ser dia, noite ou madrugada, não importava, ele perguntava ao encarregado da embarcação quanto tempo o barco ficaria parado e depois de obtida a resposta entrava floresta adentro em busca de alguma caça e quase sempre trazia.
Em certa viagem, quando o Batelão se aproximava de Pauini, por volta de 5:30' foi avistado um melancial, e  ficou decidido que dois tripulantes voltariam para recolher algumas melancias.
Um dos homens foi destacado, Moisés, era bom remador o outro se voluntariou, era "Segundo" (Isaac) que pegou seu rifle e sua faca de caça e retornaram à plantação de melancia, e ao chegarem lá começaram a encher a canoa com a fruta e depois "Segundo" combinou um horário com Moisés para seu retorno e saiu batendo o mato. Só que desta vez não voltou mais.

Quando Moisés retornou à embarcação, causou surprêsa sua volta tarde da noite sem o "Segundo".
Apesar de tarde da noite, manobraram o Batelão para o melancial e ao chegar, iniciaram a busca dando tiros para o ar, batendo nas árvores com terçados e gritando por "Segundo", isso durante toda a madrugada.
Após muita busca pelas matas, Isaac foi finalmente encontrado com a luz opaca do amanhecer das 5:00'.
Estava em um estado deplorável. Aparentemente havia sido arrastado pelo mato, tendo a roupa toda rasgada e estava muito ferido, com peito e braços com cortes profundos, estando também bastante ensanguentado. Sua perna esquerda estava visivelmente quebrada e respirava com dificuldade, estava desfalecido.

Isaac foi então levado para o Batelão e durante o percurso foi solicitado um médico de Rio Branco, pois seu estado era gravissímo.
Se fosse outra pessoa talvez tivesse morrido naquela situação, porém "Segundo" resistia, e durante todo o seu sofrimento, gemia e falava palavras desconexas.
Estava transtornado e ao chegar foi sedado, ficando vários dias sob efeito de medicamentos e quando ficava lúcido, chorava e às vezes gritava desesperadamente, e não queria ficar só, pedia pelo amor de Deus que não o deixassem sozinho.
Não era mais o mesmo, havia perdido a coragem, e seus amigos faziam uma vigília para não deixá-lo a noite, e sêo Mosart me disse que em algumas ocasiões ficou abraçado com ele para tentar acalmá-lo, sendo que nesses momentos ficava repetindo:

"Ele vem me buscar, ele vem me buscar."

E os companheiros lhe falavam: "Calma "Segundo", quem vem te buscar? Nós estamos aqui com você."
Toda noite pedia sempre para rezarem com ele e eles o faziam.

Essa situação chegou até o conhecimento do proprietário da empresa que enviou uma pessoa par tratar dele, mas não adiantou.
Meses se passaram, e os homens voltaram à rotina, e sempre alguém ficando com "Segundo" durante todo o tempo e ele se recuperando, ainda assustado e falando em voltar para o Ceará.
Após se recuperar parcialmente, em uma tarde, "Segundo" resolve contar sua versão do acontecimento, o que atraiu a atenção de todos.

Disse ele que ao carregar a canoa foi caçar, rompeu floresta adentro e encontrou uma trilha feita por queixadas (porcos do mato), utilizadas pelos animais da região, que acabava em um pequeno riacho onde havia muitas árvores de buriti (palmeira nativa)...

"Senti que estava sendo observado, não me importei, no mato essa sensação é normal, me posicionei para esperar alguma caça e deu panema (azar).

Resolvi voltar pela mesma trilha, e no meio do caminho de volta percebi que estava sendo seguido e voltei com o rifle em posição de tiro e pude ver a uns vinte passos o que parecia  ser um homem bem mais alto que o normal, seu andar era pesado, pois se moveu na minha direção, deixei que ele se aproximasse mas então pude observá-lo melhor: tinha olhos vermelhos, suas feições eram cadavéricas, seus braços eram mais compridos que o normal, mãos e pés enormes e seu corpo todo coberto de pelos.
Então eu atirei. Descarreguei o rifle e não posso ter errado de tão perto.
Então joguei a arma e saquei a faca.

Estava apavorado, com um medo que eu não sabia que tinha, pensei 'vou morrer, mas levo ele junto comigo', e qual foi minha surprêsa quando minha mão com a faca e tudo atravessou seu corpo e fui agarrrado!
Tentei várias vezes acertá-lo em desespero, com sentimentos de pavor e raiva, então percebi que aquilo era uma aparição, e sendo arrastado, massacrado, gritei que Deus me ajudasse, lutei, rezei, gritei até perder a voz e a criatura me sacudia, batia, enfiava suas garras em meu corpo e eu não conseguia atingi-la, tentava esfaquear, e acabei assim como vocês me encontraram: quase morto."

Essa foi a história de um homem de carne e osso que enfrentou com muita coragem, nos confins da selva amazônica, uma aparição sabe-se lá de onde.
"Segundo", o cearence corajoso, viveu para contar a sua história.
Agradeci ao sêo Mosart, meu vizinho veterano da rota de navegação do alto rio Purús, pelo relato e fui para casa recontar a hitória aos meus filhos, de "Segundo", O FOGUISTA.

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Obs.: Fatos como esse já se repetiram pelo mundo todo desde tempos antigos, como descrito no relato abaixo:

El Cazador de Hombres


Enviado por Joaquim Golveia - Recife - PE - Brasil - em nome de João Raimundo Bezerra
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