A CRIATURA DA FLORESTA


"Em várias partes do mundo existem relatos de pessoas que avistaram criaturas bizarras e assustadoras, não tendo explicões sobre os misteriosos avistamentos. Casos de mortes misteriosas de animais e até de pessoas por criaturas não identificadas são descritas em várias partes do planeta, sendo casos nunca solucionados, mesmo sendo intensamente investigados.
Quais criaturas seriam responsáveis por esses acontecimentos?
Seriam essas misteriosas e assustadoras criaturas descritas por testemunhas oculares provindas do nosso mundo, ou viriam de outra dimensão ou mesmo do além, e qual seriam os seus objetivos em nossa realidade?
Até o momento as respostas para essas pergunas ainda não foram respondidas. Será que um dia serão?"


"Os acontecimentos a seguir descrevem um desses casos sobre esses misteriosos visitantes!"

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Este relato que vou contar agora se passou com meu avô Isidoro Sampaio, que hoje (ano de 2011) tem 93 anos de idade, mas que na época dos acontecimento tinha 14 anos e morava no interior de São Paulo.
Ele sempre me contou esse acontecimento, sendo que eu o convenci à detalhar bem o fato, pois eu fiquei de enviar para ser publicado em um site da internet que eu fiquei conhecendo, o Além da Imaginação Home Page, com o objetivo de deixar documentado de forma pública esse relato tão interessante, o qual marcou meu avô, fazendo com que mesmo após tantos anos ele não se esquecesse do que aconteceu naquele passado distante.
Então meu avô foi contando para mim o que aconteceu, e eu fui escrevendo tudo em um caderno para depois digitar no computador e enviar para ser publicado no site.
Eu não sou escritor, mas mesmo assim tentei deixar as frases contidas no relato com a forma mais clara possível, contando os detalhes do acontecido, os quais fui perguntando separadamente ao meu avô durante o período em que fui preparando o texto para ser digitado.
Só como curiosidade, levei aproximandamente um mês e meio para detalhar tudo e formatar de acordo o texto à ser enviado, o qual está a seguir:

==> Meu nome é Isidoro Sampaio, hoje tenho 93 anos de idade e moro em São José do Rio Preto.

Quando eu era jovem, morava com minha família no interior de São Paulo em um sítio próximo à pequenina cidade de Mesópolis, estado de São Paulo.
Meu pai trabalhava na roça, plantando café e outros produtos agrícolas da época, sendo que eu meus irmãos o ajudava nas tarefas do dia a dia, como tratar dos animais que tinham no sítio, como porcos, galinhas e cavalos.
Nós também criávamos algumas cabeças de gado, sendo que tínhamos leite puro a vontade devido às várias vacas leiteiras que haviam por lá.
Nosso sítio também vendia leite para ajudar na renda familiar.
Naquele tempo não haviam numerosas escolas como hoje em dia, e para estudar tínhamos que andar a pé por cerca de 8 km até outro sítio onde no qual foi construída uma sala de aula, sendo que a professora se deslocava da cidade mais próxima para dar aulas para as crianças da nossa região.
Era uma vida dura, mas sinto saudades daquela época.

Bem, tudo começou quando em uma certa manhã meu pai encontrou um boi do seu rebanho morto no pasto.
Não tinha nenhum sinal de ataque de nenhum animal. Só que estranhamente ele não tinha nenhuma gota de sangue, nada, mas haviam dois pequenos furos do lado direito do seu corpo. Furos bem redondos.
Meu pai estranhou aquilo, mas não conseguiu descobrir o que era. Ficou cismado com aquele fato.

Passado uma semana mais ou menos meu pai encontrou outro boi morto nas mesmas circunstâncias.
O segundo boi, assim como o primeiro também não tinha sangue em seu corpo, e possuia os mesmos tipos de furos que o primeiro em seu corpo.
O local onde os bois foram mortos era perto de uma grande mata que tinha na região, sendo praticamente uma floresta.
Duas noites após o acontecido, nós acordamos de madrugada com nossos cachorros latindo bravos, como se houvesse alguém próximo à nossa casa. Então meu pai, já preocupado com a morte dos dois bois, pegou um rifle que tinha em casa e saiu com o lampião para dar uma olhada. Minha mãe não queria que ele fosse, mas ele saiu assim mesmo.

Minutos depois nós escutamos dois tiros, sendo que em seguida meu pai voltou para casa assustado.
Então nós perguntamos a ele porque ele havia atirado, e ele com os olhos arregalados contou que estava próximo do chiqueiro dos porcos quando no mato próximo ele escutou um barulho, então ele iluminou com o lampião, mas não dava para enxergar direito.
De repente ele olhando meio de longe, com a luz do luar, viu no mato próximo uma criatura de mais ou menos uns 2,5 metros de altura, andando ereta, de pé, e quando ela se virou para o lado do meu pai, seus olhos eram vermelhos, como fossem acesos.
E foi nesse momento que meu pai atirou e voltou para casa assustado.

Perguntamos se ele tinha acertado, e ele disse que não sabia, mas que era para nós irmos verificar só de manhã porque aquilo não deveria ser desse mundo.
Nem é preciso dizer que todos nós ficamos morrendo de medo daquilo que meu pai tinha contado, ainda mais vindo do meu pai que não tinha medo de nada e era alto e forte, com ar de imponência.
No dia seguinte bem cedo saímos todos para ver se havia alguma marca de sangue ou rastro onde meu pai disse ter visto a "criatura".
Olhamos em volta e não encontramos sangue algum, mas estranhamente encontramos algumas pegadas altamente incomuns.
Era de um tipo de animal de duas patas com cinco dedos longos, parecendo marcas de algum tipo de lagarto, e iam em direção à mata fechada que tinha próximo ao sítio.

Curioso com aquilo que aconteceu, meu pai foi conversar com seu vizinho e amigo, Sr. João, contando o que havia acontecido em nosso sítio.
Meu pai perguntou se já havia acontecido algo parecido em seu sítio, sendo que o Sr. João contou que daquela forma não, mas que havia escutado barulhos estranhos à noite próximo à sua casa, como um "grunhido", e os cachorros ficavam latindo a noite toda.
Foi aí então que meu pai convidou o Sr. João para sair em uma "caçada" à tal criatura que estava rondando nossas terras.

Marcaram para dois dias depois saírem para caçar a tal criatura.
Eu, muito curioso quis ir também, pois queria muito saber o que era aquilo.
A princípio meu pai não quis, mas acabou deixando.
Então no dia marcado, logo pela manhã saímos, eu, meu pai, meu tio Augusto e o amigo e vizinho nosso, (Sr. João) saímos atrás daquela estranha criatura.
Meu pai levava um rifle, meu tio e o Sr. João levavam cada um deles uma garrucha.
Fiquei imaginando o que poderíamos encontrar pelo caminho.

Adentramos pela floresta atrás de pegadas, mas nada encontramos.
Então quando chegamos á beira de um grande lago que existia na região, o Sr. João nos chamou para mostrar algumas pegadas "diferentes" que havia encontrado.
Eram muito parecidas com aquelas que achamos em nosso sítio na noite em que meu pai avistou e atirou na criatura.
Então meu pai disse que a criatura deveria estar por perto.
Seguimos então aquelas estranhas pegadas, mas misteriosamente, após uns 100 m elas desapareceram.

Meu pai, meu Tio e o Sr. João ficaram espantados com o desaparecimento das pegadas, pois a terra era macia naquele pedaço da floresta, e ficaram imaginando como poderiam sumir daquele jeito.
Bem, andamos por mais algumas horas, e nada de encontrar sinais da criatura.
Voltamos para casa.
Chegando em casa, minha mãe já preocupada, nos aguardava ansiosa, perguntando se havíamos achado algo.
Meu pai disse que não, mas que iríamos procurar em uma outra hora.

Passou-se algum tempo, até que alguns dias depois meu pai, surpreso, encontrou outro boi morto em sua pastagem, e pelos sinais, havia sido morto do mesmo modo que o anterior. Haviam, como anteriormente, dois furos, e nenhuma gota de sangue em seu corpo. Meu pai ficou enfurecido com aquilo, e disse que já era demais.
Então chamou o Sr. João novamente, e disse iriam atrás da criatura, agora à noite, já que era nessa hora que ela atacava.
Minha mãe sabendo daquilo, não quis deixar que ele fosse, mas como meu pai era teimoso, não adiantou nada, disse que estava resolvido, e que iria resolver aquele problema e que não queria ver mais seus animais mortos.

Então no início da noite do dia seguinte, todos nós nos reunimos e saímos atrás da estranha criatura que estava atacando o nosso gado. Como anteriormente, meu pai, o Sr. João e meu tio levaram suas armas.
Meu pai e o Sr. João levaram uma tocha cada um, e eu e meu tio um lampião.
Adentramos à floresta e ficamos na área mais próxima, pois como ele atacava à noite, meu pai imaginou que não deveria estar tão longe. Andamos "tentando" procurar rastros, mas não os encontramos, isso também devido à escuridão e á pouca iluminação que tínhamos disponível.
Chegando em uma clareira em um determinado ponto da floresta, meu pai resolveu fazer uma pausa e fez uma fogueira.
Devia ser umas 22:00' mais ou menos.
Então ficamos ali conversando um pouco, e sempre de olho em volta. Era uma noite de lua cheia, mas com algumas nuvens, sendo que a luz do luar iluminava um pouco a escuridão da noite.
Acredito que ficamos ali mais ou menos uma hora e meia, "proseando", como dizia meu pai.

Encerrado o "descanso", voltamos à andar, e nos dirigimos em direção à um rio pequeno que cruzava naquela parte da floresta.
Ali começamos á procurar mais vestígios, até que em uma certa parte da margem meu pai nos chamou e mostrou.
Eram as mesmas pegadas que havíamos vista anteriormente, e eram recentes. Então a criatura deveria estar por perto.
Seguimos as pegadas, as quais entravam na floresta, mas como antes, misteriosamente elas desapareciam.
Meu pai ficou bravo com aquilo, pois já era a segunda vez que perdia as pistas. Então ele resolveu que deveríamos seguir em direção em que as pegadas iam inicialmente.
Prosseguimos pela mata por um bom tempo, até que em um determinado local começamos á ouvir uns sons de mato se movendo e de gravetos se quebrando como se houvesse alguém ou algo se deslocando. Não era tão perto, mas já indicava algo.

Seguimos então naquela direção onde havia os ruídos. Quando nos aproximamos, o barulho cessou.
Ficamos então observando em volta, procurando pistas de alguma coisa, mas não víamos nada, a não ser o Sr. João e o meu Tio que encontraram galhos de árvores quebrados e mato amassado, indicando que alguma coisa havia estado ali.
Meu pai então preparou seu rifle e os outros sacaram suas garruchas, ficando com mais atenção e cuidado.
Ficamos alguns minutos naquele local em silêncio, procurando algo ou algum som que chamasse a atenção.
Então alguns minutos depois ouvimos um ruído vindo da mata logo adiante. Nos dirigimos com cuidado até lá.
Nem é preciso dizer que eu já estava suando frio de tanto pavor que sentia naquele momento.

Fomos seguindo pela mata, por um tipo de trilha bem precária que existia ali, sendo que mais adiante, onde existiam muito mais árvores do que onde estávamos, e a escuridão aumentava devido à não presença da "pouca" iluminação da lua, aconteceu a cena mais aterrorizante de toda a minha vida, a qual eu não esqueceria por toda a minha vida, mesmo tendo hoje 93 anos de idade.
Naquele ponto da mata, do lado direito da trilha, ouvimos um ruído de gravetos se quebrando, e em seguida um tipo de um "grunhido". Eu me arrepiei todo. Ficamos então observando, e lentamente demos mais alguns passos bem lentos e com cuidado em direção aos sons.
Foi quando olhando para a escuridão da mata com o auxílio das tochas e lampiões, à apenas alguns metros a frente, foi que vimos aquilo:

- Tinha os olhos vermelhos, parecendo acesos;
- Parecia um tipo de lagarto apoiado em duas pernas, e tinha aproximadamente de 2 a 2,2 metros de altura;
- Seu corpo parecia como o de um jacaré, só que mais liso, parecendo úmido.
-Suas mãos ou patas tinham garras enormes, e seus dentes pareciam com aqueles de dinossauros dos filmes, pontudos e afiados.

Quando nos deparamos com a criatura, ela nos encarou e deu um "Urro" tão forte que quase fiquei surdo.
Meu pai e os outros ficaram sem ação por alguns segundos, acredito eu de tanto medo. Ficaram paralisados. Todos nós ficamos.
Quando meu pai conseguiu reagir e apontar o rifle em direção à criatura, ela se virou e deu um salto tão grande, que parecia que tinha molas nos pés, desaparecendo na mata.
Meu pai, meu tio e o Sr. João atiraram várias vezes em direção à criatura, mas com certeza erraram, pois com a velocidade que ela desapareceu, não daria para acertá-la.

Ficamos sem fala por algum tempo, e eu comecei à chorar. É vergonhoso, mas não pude evitar.
Então meu pai imediatamente ordenou que voltássemos para casa, pois segundo ele e suas crenças, "aquilo não deveria ser desse mundo".
Voltamos rapidamente para casa, todos em pânico.
A cena foi tão aterrorizante, que até o Sr. João passou o resto da noite em casa com medo de voltar para o seu sítio, temendo encontrar com aquela criatura pelo caminho.
Nós contamos para nossa mãe o que havia acontecido, sendo que ela ficou estarrecida com o relato.

Todos nós comentamos pela região o que havia acontecido, sendo que alguns não acreditavam, e outros tinham as mais diversas teorias, dizendo que poderia ser até o próprio "Demo" que estava na floresta.
Passadas algumas semanas, foi encontrado mais um boi morto em nosso pasto, e algum tempo depois mais um no sítio do Sr. João.
Mas nunca mais meu pai quis ir atrás da criatura. Ele só olhava o que havia acontecido, e abaixava a cabeça, balançando de um lado para o outro.

Em outras noites ao longe, ouvíamos um tipo de "Urro" vindo da floresta, e ficávamos imaginando que deveria ser a estranha criatura que estava por lá.
Alguns meses depois não ouvimos mais nada. Pararam de surgir animais mortos e barulhos estranhos à noite.
Então imaginamos que a criatura deveria ter ido embora, talvez procurando outro local para habitar. Isso nunca saberemos.
Meu pai e o Sr. João evitavam falar sobre o acontecido. Meu tio fez o mesmo.
Eu, bem; eu acredito que fui o mais afetado com tudo aquilo. Tive pesadelos por vários meses, e tinha pânico de até chegar perto da floresta.
Sempre conto essa história para quem quer ouvir, pois foi algo real que aconteceu em minha vida, e não posso simplesmente apagar da minha mente.

"Agora, o que era aquela estranha criatura enorme, com olhos vermelhos e corpo de lagarto, de onde veio, o que queria e para onde foi, jamais saberemos.
O que eu sei com certeza, é que nesse mundo existem muitos mistérios, criaturas inexplicáveis e fatos que o homem não pode explicar, e por mais fantástico que seja, tudo isso existe, e pode estar mais perto de nós do que possamos imaginar."

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Quando meu avô comenta sobre esse acontecimento, ele sempre diz: "Francisquinho", nunca duvide plenamente das histórias que as pessoas contam, por mais fantásticas que sejam, pois elas podem ser verdade, como no meu caso.

Esse relato foi enviado em homenagem ao meu querido avô, "Isadoro Sampaio".
Essa foi uma forma que encontrei de deixar registrado parte de suas memórias na história.

Obrigado pela atenção.



José Francisco - em nome de Isadoro Sampaio
São José do Rio Preto - SP - Brasil