O SÍTIO EM MIGUEL PEREIRA

 

 

 

Eu me chamo André Felipe e o relato que vou contar aconteceu por volta de 1992 no Rio de Janeiro.

Eu fui visitar uns parentes num sítio em Miguel Pereira, era um final de semana prolongado no qual achava que iria aproveitar bastante.

Minha tia tinha dito para mim que o sítio havia sido vendido de "porteira fechada" ou seja, com o que tinha dentro, o que eu achei bastante estranho pelo fato de que ele foi vendido por um valor pequeno demais pelo tamanho da propriedade e por ser num lugar bastante tranqüilo por não haver vizinhos à quilômetros em qualquer direção para encher a paciência.

Ele pertenceu a um ex-diretor da de uma grande empresa de comunicação, e era espírita e homossexual e vivia nele com um "namorado", ele tinha morrido no ano anterior e o "namorado" tratou de vendê-lo o mais rápido possível e nunca mais deu as caras.

Lá tinha um jardim bastante interessante pois possuía um tipo de cada planta, estatuetas dos sete anões espalhadas por ele, um riacho que passava próximo a casa e em volta desta mesma casa havia uma vala com água.

O 2º andar dela servia de rancó para as entidades descerem e para se subir nele tinha que utilizar uma escada de madeira que ficava encostada à parede pois não havia outro meio.

O meu 1º dia nesta casa foi uma experiência assustadora, pois logo ao chegar me senti mal, como se ali tivesse algo muito ruim, eu dormi (ou tentei) no 2º piso, e nós (eu e minha prima Kátia) ouvíamos passos em nossas direções, risos vindo do mato em frente à casa e, de vez em quando, alguma coisa puxava o lençol da Kátia.

Relatei o que houve no dia seguinte para a minha tia e qual não foi a minha surpresa ao saber que aquilo que aconteceu comigo e com a Kátia não era novidade alguma e que já havia acontecido com tantas outras pessoas que ali haviam dormido.

Deixamos o ocorrido para lá e resolvemos aproveitar o dia, que estava com um sol maravilhoso e convidativo para se fazer uma caminhada para se conhecer melhor o sítio. Seguimos eu e os meus primos, Ricardo, Anderson e Rodolpho mato adentro, seguindo o rio para tentar chegar até a sua nascente.

Estávamos tentando subir uma rocha muito grande, tipo o 3º andar de um prédio, ela era escorregadia e só conseguíamos subir com o auxílio de raízes das árvores próximas a ela. Estávamos quase conseguindo transpor a rocha quando aconteceu.

O Ricardo estendeu a mão para segurar uma raiz quando ela moveu-se, saiu do lugar, todos nós testemunhamos isso e ficamos assustados, pois Ricardo deslizou pela rocha até cair próximos às pedras que lá haviam.

Ele deu um grito de dor e disse que tinha cortado o pé e que o corte era muito profundo. Tratei de tentar descer para prestar-lhe os primeiros socorros quando aconteceu novamente. O galho que eu iria me apoiar movimentou-se e perdi o equilíbrio, com isso fui rolando rocha abaixo com a minha cabeça indo em direção às pedras. Com um movimento brusco, consegui girar o corpo e bati com o corpo próximo ao Ricardo, que sangrava muito.

Conseguimos sair de lá levando o Ricardo nas costas até a casa, levaram-no ao médico e ele levou 17 pontos no pé.

Tratei de perguntar mais sobre o sítio a minha tia, ela tentava desconversar mais de tanto insistir ela acabou por me contar mais do que eu queria ouvir.

Ela me disse que havia ainda no sítio roupas do antigo dono e que no dia 17 de Janeiro deste mesmo ano os meus primos, que adoram uma bagunça, tinham se apossado de algumas delas e que eles ficavam dando voltas do lado de fora da casa batendo nas janelas e gritando "Eu sou um fantasma" durante quase toda tarde daquele dia.

Quando anoiteceu, houve um corte de energia elétrica e todos estavam juntos na sala quando de repente o Vandinho (um primo meu que tem problemas mentais, e que seria incapaz de mentir), disse: "Mãe, tem uma moça cantando no rádio" essa "moça" era nada mais nada menos que Clara Nunes, famosa cantora falecida na década de 80. "Como o rádio estaria funcionando sem luz elétrica na casa?" perguntaram todos.

Quando no 2º piso começaram a se ouvir, primeiramente passos, logo depois músicas de rituais espíritas e danças, a escada de madeira começou a bater com violência na parede, como se alguém estivesse subindo e descendo com grande velocidade nela. O meu tio disse "O que está acontecendo aqui! Se eu pegar os moleques que estão fazendo isso...". Só que quando ele chegou próximo a janela, a mesma se fechou com extrema violência. Aí que ele percebeu que não era coisa deste mundo, pois ao se afastar, a janela ficava abrindo e fechando ora o seu lado esquerdo, ora o direito.

Foi quando eles ouviram o 1º estrondo do tambor, e aí tanto a música quanto as danças aumentaram o ritmo de tal modo que o som estava ensurdecedor. No 2º estrondo do tambor, houve um barulho tipo como se tudo, o som, a dança e os passos fossem tragados para algum lugar e havia ficado somente o silêncio. Foi quando o rádio novamente ligou-se e nele uma voz grossa, estranha, dizia: "Hoje, 17 de Janeiro de 1992, 17 de Janeiro, meia-noite" e logo após tudo parou. Cinco minutos após o fato a luz voltou e todos estavam pálidos de medo.

Mais tarde soube que a data do falecimento do antigo dono era 17 de Janeiro e que ele era fã da cantora Clara Nunes .

Eu confirmei a história com todos os presentes naquele dia e me disseram que de vez em quando o meu primo Anderson, quando está dormindo na cama que pertenceu ao falecido, abaixo dela aparece uma "nuvem negra" que o empurra para fora dela.

Desde que eu saí deste sítio assombrado, fico sempre que posso, buscando mais relatos que ocorrem nele, pois não são poucos e até hoje, ninguém fica no sítio na noite do dia 16 para o 17 de Janeiro, pois ninguém tem coragem suficiente para isso.

Até hoje a minha família mora lá.

Espero que vocês tenham gostado, pois tudo o que foi contado acima realmente aconteceu.

Quem quiser entrar em contato comigo, o meu e-mail é: andresayajin@ig.com.br

 

André Felipe - Rio de Janeiro- RJ

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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